segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Exercícios: Crase

A OUTRA NOITE

Outro dia fui a São Paulo e resolvi voltar à noite, uma noite de vento sul e chuva, tanto lá como aqui. Quando vinha para casa de táxi, encontrei um amigo e o trouxe até Copacabana; e contei a ele que lá em cima, além das nuvens, estava um luar lindo, de lua cheia; e que as nuvens feias que cobriam a cidade eram, vistas de cima, enluaradas, colchões de sonho, alvas, uma paisagem irreal.Depois que o meu amigo desceu do carro, o chofer aproveitou o sinal fechado para voltar-se para mim:-O senhor vai desculpar, eu estava aqui a ouvir sua conversa. Mas, tem mesmo luar lá em cima?Confirmei: sim, acima da nossa noite preta e enlamaçada e torpe havia uma outra - pura, perfeita e linda.-Mas, que coisa...Ele chegou a pôr a cabeça fora do carro para olhar o céu fechado de chuva. Depois continuou guiando mais lentamente. Não sei se sonhava em ser aviador ou pensava em outra coisa.-Ora, sim senhor...E, quando saltei e paguei a corrida, ele me disse um "boa noite" e um "muito obrigado ao senhor" tão sinceros, tão veementes, como se eu lhe tivesse feito um presente de rei.

Exercícios (com gabarito no final).



1. Em “Outro dia fui a São Paulo...”, justifique o motivo da ausência do acento grave.

2. Já na passagem “(...) resolvi voltar à noite”, o emprego do acento grave é de caráter obrigatório. Por quê?

3. Reescreva a frase “Quando vinha para casa de táxi (...)” substituindo a palavra para por a. Na frase reescrita , esse a deve receber o acento indicativo de crase? Por quê?

4. Em “(...) contei a ele o que lá em cima, (…) estava um luar lindo (...)”, por que não ocorre crase?

5. Justifique por que razão não ocorre crase no trecho “(...) eu estava aqui a ouvir sua 
conversa”.








Gabarito
1. Não ocorre crase porque São Paulo não admite artigo.
2. É obrigatório porque à noite é locução adverbial feminina.
3. "Vinha a casa de táxi..." não ocorre crase porque a palavra casa não está determinada.
4. Porque o pronome pessoal ele não admite artigo.
5. Não ocorre crase porque antes de verbo não pode existir artigo.

Uso da crase - parte II

Hoje eu vou complementar este artigo sobre crase com algumas dicas que ficaram faltando.


1) Nomes de lugares:

Iremos à Argentina

Com nomes próprios geográficos, substitui-se o verbo da frase pelo verbo voltar. Se resultar a expressão voltar da, a crase ocorre.

Iremos à França
Voltamos da França. (crase confirmada)

Viajarei a Roma.
Voltarei de Roma. (crase não confirmada)

Volto da: ocorre crase.
Volto de: sem crase.



2) Pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s) e aquilo:
Recebem acento grave se antes vier um termo que necessite de preposição, ou seja, evitaremos novamente o aa.

Dei pão àqueles pobres. (Dei pão a aqueles pobres.)
Iremos àquela cidade (Iremos a aquela cidade)


3) Locuções femininas: sempre* recebem crase.

Às vezes, à noite, à espera de, à frente de, às ocultas...


* Tomar cuidado com as expressões que indicam meio ou instrumento, já que o emprego do acento grave nestes casos é optativo.

O cão foi morto a (à) bala.



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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Uso da crase – parte I

O primeiro tópico gramatical que eu gostaria de abordar no blog é sobre crase. Afinal de contas, esta é uma das matérias que mais causa dúvidas na hora da escrita. Quem nunca se perguntou se é fui a praia ou fui à praia que atire a primeira pedra.
Este assunto por mais que pareça ter muitas regras, na verdade se resume em tópicos bem simples.

Afinal, o que é crase?

Engana-se quem acha que crase é o nome dado ao acento que às vezes pomos em cima do a. Crase é, na verdade, o nome do fenômeno da junção de a (artigo) e a (preposição).

Achou difícil? Vamos a exemplos práticos:

Eu fui à praia ontem
Eu fui ao cinema ontem.

Você consegue perceber que a construção da frase se dá pelo mesmo verbo e sujeito e as únicas palavras modificadas foram praia e cinema? Você consegue entender o porquê?
Observe:

Eu fui aa praia ontem. (preposição a + artigo feminino a)
Eu fui ao cinema ontem. (preposição a + artigo masculino o)

Então, temos o seguinte: o verbo pede um complemento com preposição, que neste caso é a preposição a e a palavra seguinte pede um artigo feminino a, no primeiro caso. Já no segundo caso, o substantivo é masculino portanto pede o artigo o e o verbo se manteve. O que acontece é: crase é a junção de dois a's para evitarmos esta bizarrice de aa todas as vezes que tivermos preposição pedida pelo verbo + artigo feminino pedido pelo substantivo.

A partir disto, então, já conseguimos delimitar regras importantes:

1- Crase só ocorre diante de palavras femininas. (ou seja, proibido diante de palavra masculina, já que não vai ter aa)
2- Não ocorre crase diante de verbos. (Visto que não tem artigo antes de verbos)

Se você souber estas duas regras, você consegue resolver 80% (ou mais) do uso da crase e consegue identificar seu uso correto e incorreto. No entanto, precisamos também nos atentar às expressões que indicam horas ou nas locuções à medida que, às vezes, à noite, dentre outras, e ainda na expressão “à moda”. Ou seja, expressões adverbias femininas.


Agora, julgue se o uso da crase nos exemplos abaixo estão corretos: (com gabarito no final)

1- Quando eu disse que à amava, meu corpo se encheu de alegria.
2- Ao saber da morte de Fábio, à sua filha se desesperou.
3- Eu irei te buscar às oito horas.
4- Retornei à casa da minha mãe.
5- A professora fez críticas à algumas alunas.
6- Ela está à espera de vocês.




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1- I; 2-I; 3-C; 4-C; 5-I; 6-C 

Primeira postagem

Olá! Bem vindo ao PORTUGUÊS FÁCIL PRA MIM!

Este blog é uma tentativa de um aluno - no caso, eu - em melhorar o entendimento em língua portuguesa de seus colegas e compartilhar com eles as dicas e as experiências em nossa língua-mãe. Hoje poucas são as páginas que se preocupam com português e, quando elas existem, são, normalmente, fracas e com poucas atualizações. Peço a vocês que se sintam a vontade em expressar suas dúvidas, desejos e insatisfações, afinal estou aqui para ajudar e compartilhar tudo o que sei.

Agradeço a todos vocês!