A
OUTRA NOITE
Outro dia fui a São Paulo e resolvi voltar à noite, uma noite de vento sul e chuva, tanto lá como aqui. Quando vinha para casa de táxi, encontrei um amigo e o trouxe até Copacabana; e contei a ele que lá em cima, além das nuvens, estava um luar lindo, de lua cheia; e que as nuvens feias que cobriam a cidade eram, vistas de cima, enluaradas, colchões de sonho, alvas, uma paisagem irreal.Depois que o meu amigo desceu do carro, o chofer aproveitou o sinal fechado para voltar-se para mim:-O senhor vai desculpar, eu estava aqui a ouvir sua conversa. Mas, tem mesmo luar lá em cima?Confirmei: sim, acima da nossa noite preta e enlamaçada e torpe havia uma outra - pura, perfeita e linda.-Mas, que coisa...Ele chegou a pôr a cabeça fora do carro para olhar o céu fechado de chuva. Depois continuou guiando mais lentamente. Não sei se sonhava em ser aviador ou pensava em outra coisa.-Ora, sim senhor...E, quando saltei e paguei a corrida, ele me disse um "boa noite" e um "muito obrigado ao senhor" tão sinceros, tão veementes, como se eu lhe tivesse feito um presente de rei.
Exercícios (com gabarito no final).
1. Em “Outro dia fui a São
Paulo...”, justifique o motivo da ausência do acento grave.
2. Já na passagem “(...) resolvi
voltar à noite”, o emprego do acento grave é de caráter
obrigatório. Por quê?
3. Reescreva a frase “Quando vinha
para casa de táxi (...)” substituindo a palavra para por a. Na
frase reescrita , esse a deve receber o acento indicativo de crase?
Por quê?
4. Em “(...) contei a ele o que lá
em cima, (…) estava um luar lindo (...)”, por que não ocorre
crase?
5. Justifique por que razão não
ocorre crase no trecho “(...) eu estava aqui a ouvir sua
conversa”.
Gabarito
1. Não ocorre crase porque São Paulo não admite artigo.
2. É obrigatório porque à noite é locução adverbial feminina.
3. "Vinha a casa de táxi..." não ocorre crase porque a palavra casa não está determinada.
4. Porque o pronome pessoal ele não admite artigo.
5. Não ocorre crase porque antes de verbo não pode existir artigo.